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Empreendedora transforma microcrédito em patrimônio e liberdade
22/07/2026
Ainda criança, em Nova Itaberaba, Maria das Dores Borin já falava com convicção sobre o futuro. Quando alguém perguntava o que ela queria ser quando crescesse, a resposta era sempre a mesma: teria uma loja e seria rica. Seis décadas depois, ela reconhece que realizou o primeiro desejo. O segundo ganhou um significado que a menina daquela época ainda não poderia compreender. "A loja eu tenho. A riqueza está na liberdade e na qualidade de vida", afirma.
A trajetória de Maria no empreendedorismo começou antes mesmo da abertura do comércio que levaria seu nome. Ela nunca trabalhou com carteira assinada e, ainda em Nova Itaberaba, participou da administração de um posto de combustíveis mantido pela família. A venda do estabelecimento abriu caminho para a mudança a Chapecó e para a concretização do sonho que carregava desde a infância.
Em 1993, Maria inaugurou a Mary Ltda., no bairro Alvorada. A loja de calçados e confecções nasceu grande e passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua rotina. Durante 25 anos, ela trabalhou mais de dez horas por dia, acompanhou o movimento do bairro, conheceu famílias inteiras e construiu uma clientela baseada na confiança e no atendimento próximo.
O crescimento do negócio exigiu investimentos sucessivos. Foi nesse período que, por indicação de um amigo, Maria conheceu a Credioeste. A primeira operação ocorreu em 2004 e teve um destino específico: a construção da vitrine da loja.
O investimento marcou o início de uma relação que completou 22 anos. Desde então, a empresária realizou 13 operações com a agência de microcrédito. Os recursos ajudaram a instalar novos balcões, ampliar o espaço, reforçar o estoque e melhorar a estrutura do estabelecimento.
CRÉDITO PARA CRESCER
Maria sempre tratou o crédito como ferramenta de crescimento, e não como solução para dificuldades acumuladas. "Crédito só se contrata para investir e com parcelas que você pode pagar. Nunca para pagar dívidas, porque, quando você faz um investimento bem pensado, ele mesmo se paga", orienta.
Foi dessa forma, com planejamento e aplicações definidas, que a loja cresceu. À medida que o espaço aumentava, porém, crescia também a dedicação exigida. O comércio ocupava quase todos os dias de Maria, que mantinha uma rotina intensa e pouco tempo disponível para si e para a família.
Em 2018, os filhos começaram a insistir em uma mudança. Para eles, chegou o momento de reduzir o ritmo e reorganizar os negócios. A proposta era diminuir a loja, aproveitar outra parte do terreno para construir imóveis de aluguel e criar uma fonte de renda que dependesse menos da presença diária da empresária.
A decisão não foi simples. Os móveis foram vendidos, a estrutura comercial foi alugada e uma fase importante da vida de Maria parecia chegar ao fim. "Chorei quando meus filhos venderam os móveis da minha loja. Hoje, entendo que eles estavam certos e que eu deveria ter feito isso antes. A loja era muito grande e eu trabalhava demais", conta.
Com novo apoio da Credioeste, a família construiu kitnets para locação. Maria, no entanto, não quis deixar o comércio. Reservou uma área do terreno para manter a loja e o escritório de administração dos imóveis.
DE PJ PARA MEI
Em maio de 2018, a antiga empresa deu lugar a uma estrutura menor, registrada como microempreendimento individual. Oito anos depois, Maria continua à frente do negócio, porém, a rotina já não é a mesma. Ela viaja a cada 15 dias para buscar mercadorias, acompanha outros lojistas nas compras e revende roupas conforme as encomendas dos clientes. A loja permanece ativa, mas agora se adapta ao tempo de Maria, e não o contrário. "Hoje, faço meus horários, viajo para buscar produtos e vivo mais. Tenho liberdade e tempo para mim e para minha família, sem deixar de fazer o que amo, que é a loja", relata.
A construção dos imóveis ampliou a segurança financeira e permitiu uma nova relação com o trabalho. A empresária passou a conciliar a renda dos aluguéis com uma operação comercial menor, mais flexível e próxima dos clientes.
Ao relembrar as diferentes fases do negócio, Maria atribui parte da evolução ao vínculo mantido com a Credioeste. Para ela, o diferencial está na proximidade construída ao longo dos anos. "A confiança que a gente tem e recebe é diferente. É uma parceria mesmo. Eles dão atenção, respondem na hora e acompanham o negócio de perto, como se fossem da família".
Aos 62 anos, Maria não pensa em aposentadoria. Diz ter saúde de ferro e mantém a disposição para trabalhar, viajar e aproveitar a família. A experiência, no entanto, ensinou que o sucesso não depende apenas do tamanho de uma empresa ou do número de horas dedicadas a ela. Ensinou, acima de tudo, que prosperar significa escolher uma vida com mais liberdade.
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